A sensação de “trabalhar para o governo”
Você termina um mês intenso de plantões, consultas e cirurgias. O faturamento é alto, mas, ao olhar para a guia de impostos ou para o seu extrato, a sensação é de que uma fatia desproporcional do seu esforço ficou no caminho. Entre os corredores dos hospitais, o senso comum diz: “Não tem jeito, médico sempre paga o máximo de imposto”.
Mas será que isso é uma regra absoluta ou falta de planejamento? Hoje, vamos desmistificar essa ideia.
Mito 1: “Como ganho bem, minha alíquota será sempre 27,5%”
Verdade: Isso só é verdade se você atuar exclusivamente como Pessoa Física (CPF) e não tiver um livro-caixa bem estruturado. Para o médico que atua como Pessoa Jurídica (PJ), as alíquotas podem começar em 6% no Simples Nacional (através do Fator R) ou em torno de 13,33% a 16,33% no Lucro Presumido. O “imposto alto” não é sobre a medicina, é sobre a forma como você recebe.
Mito 2: “Abrir uma empresa (PJ) é sempre mais barato”
Verdade: Na maioria das vezes, sim, mas não é automático. Se a sua empresa não estiver enquadrada no regime correto ou se você não fizer a gestão do Fator R, você pode acabar no Anexo V do Simples Nacional, pagando 15,5% logo de cara. A estratégia certa depende do seu volume de faturamento e das suas despesas operacionais.
Mito 3: “Contabilidade é tudo igual, basta emitir a guia”
Verdade: Este é o erro que mais custa caro. Uma contabilidade genérica pode não conhecer as particularidades da DMED, a equiparação hospitalar para clínicas ou a forma de otimizar a tributação de quem possui múltiplos vínculos (vários hospitais). A especialização na área médica é o que separa quem “paga imposto” de quem “faz gestão tributária”.
O peso da falta de estratégia
O médico não paga mais imposto “porque é médico”. Ele paga mais porque, muitas vezes, sua rotina exaustiva o impede de olhar para a gestão financeira com o cuidado que ela exige. O imposto excessivo é, na verdade, um sintoma de um diagnóstico contábil mal feito.
O seu sucesso não precisa ser punido
A carga tributária no Brasil é complexa, mas ela não precisa ser um freio para o seu crescimento patrimonial. O segredo não é sonegar, mas sim utilizar as leis a seu favor através do planejamento tributário preventivo.


