Sua clínica poderá ter que pagar impostos antes mesmo de receber pelos serviços em 2027
Imagine emitir uma nota fiscal de R$ 30 mil para um convênio, receber o pagamento somente dois meses depois e, ainda assim, ter que recolher os impostos antes de o dinheiro entrar no caixa.
A partir de 2027, essa poderá ser a realidade de clínicas optantes pelo Simples Nacional.
Uma mudança recente nas regras do regime extingue a possibilidade de utilizar o regime de caixa para calcular os tributos mensais. Na prática, o faturamento passa a ganhar mais importância do que o efetivo recebimento.
O que muda com o fim do regime de caixa?
Atualmente, empresas que adotam o regime de caixa calculam os tributos considerando os valores efetivamente recebidos no mês.
Se uma clínica emite uma nota em agosto, mas recebe somente em outubro, o valor entra na apuração tributária de outubro.
Com a nova regra, válida a partir de 1º de janeiro de 2027, a receita será considerada no momento do faturamento da operação, normalmente relacionado à emissão da nota fiscal.
Assim, o imposto poderá vencer antes que o pagamento do paciente, da empresa contratante ou do convênio seja recebido.
Por que isso preocupa clínicas médicas?
O impacto é especialmente relevante para empresas da saúde porque nem sempre existe coincidência entre atendimento, faturamento e recebimento.
Clínicas que prestam serviços para convênios podem enfrentar prazos maiores, além de glosas, recursos e atrasos. Também existem procedimentos parcelados e contratos empresariais com pagamento posterior.
Nesse cenário, a clínica precisará utilizar dinheiro próprio para pagar tributos sobre uma receita que ainda não entrou.
Quanto maior for o prazo médio de recebimento, maior poderá ser a pressão sobre o capital de giro.
Um exemplo prático
Considere uma clínica que emita R$ 100 mil em notas fiscais durante determinado mês, mas receba apenas R$ 70 mil no mesmo período.
No regime de caixa, a apuração mensal considera os R$ 70 mil recebidos. Pela nova lógica, os tributos poderão ser calculados sobre os R$ 100 mil faturados.
Isso não significa necessariamente aumento da alíquota. O problema está no momento do pagamento: a clínica antecipa o imposto enquanto ainda aguarda parte de sua receita.
Como a clínica deve se preparar?
Antes de 2027, é importante analisar:
- o prazo médio de recebimento dos convênios;
- o intervalo entre emissão da nota e entrada do dinheiro;
- os valores em aberto e o índice de inadimplência;
- a ocorrência de glosas;
- a necessidade de capital de giro;
- o melhor momento para emitir cada documento fiscal;
- o impacto da mudança no fluxo de caixa.
Também será necessário integrar melhor faturamento, gestão financeira e contabilidade. Emitir notas sem acompanhar os recebimentos poderá criar uma falsa impressão de lucro, enquanto o caixa enfrenta dificuldades para pagar impostos, salários e fornecedores.
Faturar mais não significa ter dinheiro disponível
A nova regra reforça uma diferença que toda clínica precisa compreender: faturamento não é a mesma coisa que dinheiro no caixa.
Sem planejamento, uma empresa pode apresentar crescimento nas receitas e, ao mesmo tempo, enfrentar falta de recursos para cumprir suas obrigações.
A COMED ajuda médicos e empresas da saúde a organizarem seus números, projetarem o fluxo de caixa e se prepararem para as mudanças tributárias de 2027.
Não espere o imposto vencer para descobrir que o dinheiro ainda não entrou. Entre em contato com a COMED e prepare o caixa da sua clínica para a nova realidade.