Glosas médicas aumentaram 9,7%: quanto sua clínica está deixando de receber?
Sua clínica realizou o atendimento, mobilizou profissionais, utilizou estrutura e assumiu todos os custos do serviço. Quando chega o pagamento do convênio, porém, parte do valor faturado não é recebida.
Esse é o efeito das glosas médicas, e ele está se tornando ainda mais relevante para a sustentabilidade financeira de clínicas e consultórios.
Dados apresentados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar mostram que a proporção média de glosas a prestadores passou de 12,97% para 14,23%, um crescimento de 9,7%. Em outras palavras, uma parcela importante dos serviços faturados está sendo inicialmente recusada ou descontada pelas operadoras.
Para o médico empreendedor, o problema não está apenas no valor perdido. Está também no fato de muitas clínicas não saberem exatamente quanto foi glosado, por qual motivo e quanto ainda pode ser recuperado.
O que é uma glosa médica?
A glosa ocorre quando a operadora deixa de pagar total ou parcialmente um procedimento, consulta, exame, material ou outro item apresentado pelo prestador.
Existem glosas legítimas, provocadas por inconsistências reais no faturamento, e glosas que podem ser indevidas ou contestáveis. Entre os motivos mais frequentes estão:
- dados incorretos ou incompletos do paciente;
- ausência ou divergência de autorização;
- utilização inadequada de códigos TUSS;
- documentação clínica insuficiente;
- diferença entre o procedimento autorizado e o faturado;
- envio da guia fora do prazo;
- cobrança incompatível com o contrato;
- redução de valores sem justificativa clara.
Em muitos casos, o atendimento foi corretamente realizado, mas uma falha administrativa impede ou atrasa o recebimento.
Por que as glosas prejudicam tanto as clínicas?
O primeiro impacto é evidente: a clínica fatura, mas o dinheiro não entra.
Isso cria uma diferença perigosa entre faturamento e disponibilidade real de caixa. Se a gestão observa apenas o valor das guias enviadas, pode acreditar que a operação está mais saudável do que realmente está.
Enquanto o pagamento fica retido, as despesas continuam vencendo: folha de pagamento, repasses médicos, aluguel, fornecedores, sistemas, materiais e tributos.
As glosas também aumentam o custo administrativo. A equipe precisa localizar documentos, conferir contratos, corrigir guias, abrir recursos e acompanhar respostas das operadoras. Quando não existe um processo organizado, a clínica pode gastar tempo contestando valores pequenos e deixar de recuperar perdas mais relevantes.
Sua clínica sabe quanto perde por mês?
Muitos gestores acompanham o faturamento total, mas não possuem indicadores específicos sobre as glosas. Sem esses números, o problema fica escondido dentro do financeiro.
Alguns indicadores precisam ser monitorados:
- percentual glosado sobre o total faturado;
- valor de glosa inicial;
- valor efetivamente perdido após os recursos;
- taxa de recuperação;
- prazo médio para recebimento;
- principais motivos de glosa;
- operadoras com maior índice de recusa;
- procedimentos mais frequentemente glosados.
Esse acompanhamento mostra se o problema está na documentação, no cadastro, no contrato, no processo de faturamento ou na própria relação com determinada operadora.
Nem toda glosa precisa virar perda
Receber uma glosa não significa que o valor está definitivamente perdido. Uma parte pode ser recuperada quando a clínica possui documentação, protocolos de envio e um processo eficiente de contestação.
O trabalho começa antes mesmo do faturamento. Algumas medidas ajudam a reduzir as perdas:
1. Conferir as informações antes do envio
Dados do paciente, autorizações, códigos, datas, procedimentos e documentos devem ser revisados antes que a guia seja transmitida.
2. Registrar os protocolos
A clínica precisa guardar comprovantes de autorizações, envio de documentos, recebimento de guias e demais comunicações com as operadoras.
3. Classificar os motivos das glosas
Registrar apenas que determinado valor foi glosado não é suficiente. É necessário identificar o motivo para corrigir falhas recorrentes.
4. Controlar os prazos para recursos
Cada operadora possui processos e prazos específicos. Quando não existe uma rotina de acompanhamento, a clínica pode perder o direito de contestar.
5. Conciliar faturamento e recebimentos
O valor faturado deve ser comparado com o que efetivamente entrou na conta, identificando diferenças, descontos, atrasos e glosas.
6. Avaliar a rentabilidade de cada convênio
Uma operadora pode gerar muitos atendimentos e, ainda assim, oferecer baixa rentabilidade quando são considerados os valores pagos, os prazos e o índice de glosas.
Faturar mais não significa receber mais
Uma clínica pode aumentar o número de atendimentos e continuar com dificuldades de caixa. Isso acontece quando o crescimento do faturamento não é acompanhado por controle de recebimentos, custos e glosas.
Por isso, o objetivo não deve ser apenas enviar mais guias, mas transformar os serviços realizados em receita efetivamente recebida.
A gestão das glosas precisa fazer parte da rotina financeira da clínica. Quando os dados são acompanhados, torna-se possível corrigir processos, cobrar valores devidos e avaliar com mais clareza quais convênios realmente contribuem para o resultado.
A COMED ajuda clínicas e profissionais da saúde a organizarem o faturamento, acompanharem seus números e protegerem a rentabilidade da operação. Se sua clínica não sabe quanto está perdendo com glosas, esse é um sinal de que o problema precisa ser investigado.