CRM na mão: 6 decisões que todo médico recém-formado precisa tomar
Foram seis anos de faculdade, milhares de horas de estudo, internato, provas e finalmente o CRM. Então chegam os primeiros plantões, e, junto com eles, uma série de perguntas que quase nunca fizeram parte da graduação.
Vou receber como pessoa física ou preciso abrir uma PJ? Quanto do plantão realmente é meu? Preciso emitir nota fiscal? Como ficam os impostos? E quando começar a atender pacientes particulares?
A vida profissional do médico começa antes mesmo de ele ter uma clínica. E algumas decisões tomadas nos primeiros meses podem facilitar bastante os próximos anos.
1. Entenda como você será pago antes do primeiro plantão
Nem todo hospital, clínica ou empresa remunera médicos da mesma maneira.
Alguns pagamentos podem ocorrer para a pessoa física; outros contratos exigem que o profissional tenha uma pessoa jurídica para prestar o serviço.
Antes de aceitar uma oportunidade, portanto, não olhe apenas para o valor anunciado pelo plantão. Pergunte como será feita a contratação, quem será a fonte pagadora, quais documentos serão necessários e quais custos ficarão sob sua responsabilidade.
R$ 1.500 de plantão não significa, necessariamente, R$ 1.500 disponíveis para gastar.
2. Não abra uma PJ apenas porque disseram que “médico precisa ter CNPJ”
É comum o recém-formado receber rapidamente o conselho: “abra logo uma PJ”. Pode ser a melhor escolha. Mas não deve ser uma decisão automática.
Uma empresa médica envolve definição das atividades, regime tributário, emissão de notas fiscais, obrigações contábeis e, conforme a atividade exercida, registro da pessoa jurídica no Conselho Regional de Medicina.
Além disso, empresas médicas podem estar no Simples Nacional, lucro presumido ou, em determinadas situações, em outros enquadramentos. A alternativa mais adequada depende de como o profissional trabalha e de quanto recebe.
Abrir uma empresa sem analisar essas variáveis pode significar começar a carreira com uma estrutura inadequada.
3. Se atender como pessoa física, conheça o Receita Saúde
Começou a fazer consultas particulares recebendo diretamente dos pacientes?
Desde janeiro de 2025, médicos que prestam serviços como pessoa física estão entre os profissionais obrigados a emitir o recibo eletrônico Receita Saúde.
O sistema está integrado às informações da Receita Federal e aos rendimentos do profissional. Dependendo da origem dos valores recebidos, também existem obrigações relacionadas ao Carnê-Leão e ao Imposto de Renda.
Por isso, o pagamento recebido de um paciente não deve ser tratado simplesmente como um PIX que entrou na conta pessoal.
Desde os primeiros atendimentos, é importante saber qual é a origem daquela receita e como ela deverá ser registrada.
4. Não confunda faturamento com dinheiro disponível
Esse talvez seja um dos hábitos mais importantes para desenvolver no começo da carreira.
Se em determinado mês você recebeu R$ 15 mil em plantões, isso não significa automaticamente que pode comprometer os mesmos R$ 15 mil com suas despesas pessoais.
Dependendo da forma de contratação, ainda podem existir impostos, custos profissionais, despesas da empresa e outros compromissos relacionados à atividade.
Quando todo valor recebido é imediatamente incorporado ao padrão de vida, qualquer imposto ou despesa futura parece uma surpresa.
O ideal é começar a carreira sabendo quanto entrou, quanto pertence à atividade profissional, quais obrigações ainda serão pagas e quanto efetivamente chegou ao seu bolso.
5. Se tiver uma PJ, separe a vida pessoal da empresa
Um erro comum entre profissionais liberais é utilizar a conta da empresa como extensão da conta pessoal.
Recebeu um plantão na PJ? Paga o cartão pessoal. Compra alguma coisa? Usa o cartão da empresa. Precisa de dinheiro? Faz um PIX para si mesmo.
Essa mistura dificulta saber se a atividade realmente está dando resultado e torna a contabilidade muito mais confusa.
Mesmo que sua empresa exista apenas para receber alguns plantões, trate-a como empresa desde o início: conta separada, movimentações identificadas e retiradas realizadas de forma organizada.
6. Não espere ganhar muito para começar a organizar
É comum pensar que contabilidade especializada e planejamento financeiro são assuntos para o futuro, quando houver consultório próprio ou um faturamento muito maior.
Na prática, o começo da carreira é justamente o melhor momento para construir essa organização.
É muito mais fácil criar bons processos com os primeiros recebimentos do que tentar reconstruir dois ou três anos de movimentações quando a renda já aumentou e os vínculos profissionais se multiplicaram.
Você não precisa sair da faculdade entendendo de tributação, contabilidade ou gestão. Mas precisa saber que essas áreas também fazem parte da vida do médico.
A carreira médica também é uma carreira financeira
Os primeiros meses depois da graduação costumam trazer muitas mudanças ao mesmo tempo: plantões, novas oportunidades, residência, atendimentos particulares e, para alguns médicos, a primeira empresa.
Nesse cenário, ganhar mais não é a única preocupação. É preciso aprender a receber corretamente, cumprir as obrigações da atividade e entender para onde o dinheiro está indo.
A COMED é especializada em contabilidade e gestão para médicos e profissionais da saúde. Se você está começando sua carreira e não sabe se deve atuar como pessoa física ou PJ, nem como organizar seus primeiros recebimentos, podemos ajudar você a estruturar essa nova fase desde o início.