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STF suspende multas da NR-1, mas clínicas ainda precisam cuidar dos riscos psicossociais

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STF suspende multas da NR-1, mas clínicas ainda precisam cuidar dos riscos psicossociais

O Supremo Tribunal Federal confirmou, em 20 de agosto de 2026, a suspensão temporária das sanções relacionadas às novas regras da NR-1 sobre riscos psicossociais no trabalho.

Para clínicas e empresas da saúde, porém, a decisão não deve ser interpretada como autorização para deixar o assunto de lado.

A medida suspende por 90 dias a aplicação de penalidades baseadas exclusivamente nos dispositivos questionados, enquanto representantes do governo, empregadores e trabalhadores discutem critérios mais objetivos. A norma não foi revogada, e as demais obrigações de saúde e segurança continuam válidas, conforme explicou o próprio STF.

O que são riscos psicossociais?

São situações relacionadas à organização e às condições de trabalho que podem afetar a saúde mental dos colaboradores.

Entre os exemplos estão:

  • jornadas excessivas;
  • sobrecarga e ritmo intenso;
  • metas incompatíveis com a estrutura disponível;
  • assédio e conflitos frequentes;
  • ausência de apoio da liderança;
  • falta de clareza sobre funções;
  • baixa autonomia;
  • contato constante com sofrimento, urgências e situações emocionalmente difíceis.

Esses fatores merecem atenção especial no setor da saúde, onde recepcionistas, profissionais assistenciais e equipes administrativas frequentemente trabalham sob pressão e mantêm contato direto com pacientes fragilizados.

O que a NR-1 exige das empresas?

A atualização da NR-1 determinou que os fatores psicossociais relacionados ao trabalho fossem considerados no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.

De acordo com as orientações do Ministério do Trabalho e Emprego, as empresas devem identificar os perigos, avaliar os riscos, adotar medidas preventivas e acompanhar os resultados.

Isso não significa diagnosticar a saúde mental de cada funcionário ou aplicar questionários indiscriminadamente. O foco deve estar nas condições de trabalho criadas ou influenciadas pela própria organização.

O que muda com a decisão do STF?

O principal efeito imediato é a suspensão temporária de multas e outras penalidades fundamentadas exclusivamente nos pontos questionados da NR-1.

Entretanto, continuam existindo obrigações relacionadas à segurança, à saúde ocupacional e à ergonomia. O Conselho Federal de Enfermagem também alertou que a decisão não elimina a necessidade de identificar e gerenciar situações como estresse, assédio, sobrecarga e jornadas excessivas.

Portanto, interromper completamente a preparação pode gerar riscos trabalhistas, operacionais e humanos.

O que a clínica pode fazer agora?

A adaptação pode começar com medidas práticas:

  1. revisar funções, jornadas e distribuição das tarefas;
  2. identificar setores com excesso de horas extras ou afastamentos;
  3. criar canais seguros para comunicar conflitos e assédio;
  4. orientar gestores e coordenadores;
  5. registrar as medidas adotadas;
  6. atualizar o PGR com apoio dos profissionais responsáveis pela saúde e segurança do trabalho.

Também é importante aproximar a gestão de pessoas do Departamento Pessoal. Indicadores como horas extras, faltas, rotatividade, afastamentos e pedidos de desligamento podem revelar problemas que ainda não aparecem formalmente.

Saúde mental também é gestão

Mesmo com a suspensão temporária das sanções, clínicas não devem esperar uma nova decisão judicial para começar a organizar seus processos.

Ambientes desestruturados afetam a equipe, aumentam a rotatividade, prejudicam o atendimento e elevam custos. Cuidar dos riscos psicossociais não é apenas cumprir uma norma: é proteger a operação da empresa.

A COMED auxilia médicos e empresas da saúde na organização do Departamento Pessoal e na análise de informações importantes para uma gestão mais segura. Com processos bem definidos e indicadores acompanhados, a clínica consegue cuidar melhor de sua equipe e do próprio negócio.